Criança de 7 anos com braço quebrado aguarda cirurgia há dias no Hospital Regional de Vilhena

Família relata angústia com cancelamentos e denuncia paralisação de procedimentos ortopédicos por falta de pagamento a médicos na unidade.

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Uma criança de apenas 6 anos de idade está internada no Hospital Regional de Vilhena desde o último sábado (18), aguardando uma cirurgia para corrigir uma fratura no braço. A família denuncia a falta de previsão para o procedimento e relata o sofrimento da menor, que convive com dores constantes, além de apontar que outros pacientes enfrentam o mesmo descaso na unidade.

De acordo com o relato da mãe, a peregrinação começou na sexta-feira (17), quando a criança sofreu a fratura. Ela foi atendida inicialmente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde recebeu os primeiros socorros. Diante da gravidade, foi encaminhada ao Hospital Regional para a realização de raio-X, que confirmou a fratura.

A UPA orientou a família a retornar ao HRV na manhã de sábado (18) para consulta com o ortopedista especialista. A expectativa era de que o procedimento fosse realizado de imediato, com alta no mesmo dia. No entanto, ao chegarem à unidade, a família foi informada de que não havia leitos disponíveis para a internação e realização da cirurgia.

A mãe contou que houve tentativa de mandá-los de volta para casa, mesmo com a criança sentindo dores intensas.

“Eu precisei insistir muito, dizer que ela não podia ir embora daquele jeito. É uma criança de 6 anos com o braço quebrado”.

 Somente após muita persistência, por volta das 15h de sábado, um leito foi viabilizado.

Desde a internação, a angústia da família só aumentou. Segundo a mãe, a cirurgia foi agendada e cancelada ao menos duas vezes ao longo da semana. Em ambas as ocasiões, a criança foi submetida a longos períodos de jejum total, preparando-se para um procedimento que não ocorreu.

“Eles marcam, a gente fica na expectativa, prepara ela, e depois vêm dizendo que foi cancelado. É uma tortura para uma criança”, lamenta a mãe.

A situação no Hospital Regional de Vilhena parece não ser um caso isolado. A mãe da criança internada contou à reportagem que presenciou outros pacientes em situações semelhantes na ala ortopédica. Entre os casos mencionados, estão um rapaz aguardando cirurgia para retirar parafusos do ombro, outro homem com os dedos do pé quebrados e outra criança da mesma idade, também com fratura no braço e sem previsão de atendimento.

A justificativa para o caos teria sido dada por um dos médicos da unidade. Segundo o relato da mãe, o profissional informou que as cirurgias ortopédicas foram paralisadas devido ao atraso no pagamento dos salários dos médicos. Ele teria explicado que apenas os anestesistas receberam seus vencimentos e que o corpo médico estava em greve, realizando apenas atendimentos de “alta emergência”.

“Toda vez que os médicos passam, a resposta é a mesma: que não tem previsão para esta semana por causa dessa falta de pagamento”, disse a mãe.

A família teme que a demora cause sequelas permanentes na criança.

“Meu medo é que o braço cole no lugar errado e depois tenham que quebrar de novo para consertar. Isso eu não aceito”, contou a mãe, que também relata prejuízos em seu trabalho e na saúde mental devido à situação.