Barco destruído após guindaste virar é única fonte de renda de família em Pimenteiras

Embarcação destruída fazer parte de um barco hotel, onde mora um casal com um filho e uma irmã da mulher. Caminhão tentava retirar o rebocador do rio Guaporé, quando tombou e o lançou na água.

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Barco hotel ‘Kaiman’ atuava com turismo no rio Guaporé em Pimenteiras do Oeste — Foto: Irene Alves/arquivo pessoa

Os proprietários do barco hotel “Kaiman”, Irene Alves Almeida, de 49 anos, e Valdecir Francisco Mackowiack, de 54, perderam a única fonte de renda após um caminhão guindaste, que tentava colocar o barco rebocador dentro do Rio Guaporé em Pimenteiras do Oeste (RO), tombar e destruir a embarcação. O caso aconteceu na terça-feira (7).

Desolada, a mulher relembra o momento em que o barco despencou no rio que costumava ser o seu local de trabalho.

“Foi o momento em que tudo o que nós construímos foi embora em questão de minutos. É muito triste ver aquela cena, aquele filme de terror”, desabafa.

Irene comenta que os estados de saúde dela e do marido estão instáveis e que ambos estão abalados psicologicamente.

“Aquele filme está passando na minha cabeça, não consigo dormir. Vejo o barco no guindaste o tempo todo. As cenas fortes que ficaram dentro da gente, só o tempo para tirar”, disse a proprietária, muito emocionada.

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Na noite da última quinta-feira (9), Valdecir Francisco chegou a passar mal após uma visita da Marinha à residência, e precisou ser internado.

Atualmente, Irene mora com o marido, o filho e uma irmã no barco hotel. A família estava construindo uma casa fora do rio, onde iriam morar.

Barco hotel 'Kaiman' tem capacidade para 26 pessoas — Foto: Irene Alves/arquivo pessoal
Barco hotel ‘Kaiman’ tem capacidade para 26 pessoas — Foto: Irene Alves/arquivo pessoal

O casal comprou o barco hotel há cerca de três anos e terminaram de pagar apenas no final do ano passado. “Foi tudo parcelado, em novembro de 2019 foi a última parcela. Nós estávamos com muitos planos e eles foram todos embora no minuto em que ele [o barco] afundou”, disse.

A embarcação tinha capacidade para 26 pessoas e era a única que navegava durante o ano inteiro no rio Guaporé. A rota de turismo realizada pela empresa partia de Pimenteiras do Oeste para Porto Rolim, seguindo para São Francisco do Guaporé (RO) e, por fim, à Pedras Negras (RO).

Irene conta ainda que, naquele dia, o barco estava sendo retirado da água para passar por uma manutenção antes que começasse a temporada de viagens em março.

“Meu esposo gosta de tudo organizadinho. Ele queria tirar o barco para dar uma olhada e ver como estava a situação, então ele achou melhor tirar para dar a manutenção no rebocador”, explicou Irene.

Irene Alves e Valdecir Francisco, donos do barco hotel 'Kaiman' — Foto: Irene Alves/arquivo pessoal
Irene Alves e Valdecir Francisco, donos do barco hotel ‘Kaiman’ — Foto: Irene Alves/arquivo pessoal
Devido o impacto, a parte externa do barco rebocador foi destruída e três motores, dois estacionários e um empurrador, foram danificados. A parte da hotelaria não foi atingida durante o acidente.
Nilson da Silva Ferreira, dono da empresa contratada para retirar o barco rebocador das águas, informou que viajou à Pimenteiras no sábado (11) para discutir a situação junto com os donos da embarcação.
Segundo Nilson, a empresa e os proprietários do barco hotel vão se ajudar nas despesas do acidente. Ao todo, os gastos para retirar o caminhão do rio e o reparo do veículo chegam a aproximadamente R$ 50 mil.

Relembre o caso

O acidente veio à tona após imagens do momento em que um caminhão guindaste tenta colocar o barco dentro do rio Guaporé, mas tomba para trás, circulou pelas redes sociais.

No vídeo também é possível ver quando o motorista do caminhão cai do veículo durante o acidente. O barco rebocador ficou destruído. Já o caminhão teve a parte traseira danificada.

A Polícia Militar (PM) acreditava que a situação foi ocasionada devido a um leve afundamento do solo durante a manobra, mas reiterou que o caso trata-se de um acidente e que não é a primeira vez que acontece no município.

Por G1/Sob a supervisão de Ana Kézia Gomes e Daniele Lira.

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