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Fernanda Young, escritora, atriz, roteirista e apresentadora, morre aos 49 anos

A atriz Fernanda Young em Gonçalves (MG) (Lucas Lima/Folhapress)

A escritora, atriz, roteirista e apresentadora de TV Fernanda Young morreu hoje aos 49 anos. Young estava no sítio da família, no município de Gonçalves, em Minas Gerais. quando sofreu uma parada respiratória após um ataque de asma. Ela deixa o marido, Alexandre Machado, e quatro filhos. Fernanda apresentou os sintomas no começo da madrugada e foi transportada durante a crise de asma até o hospital da cidade de Paraisópolis (MG) em uma ambulância simples, sem paramédicos, segundo o UOL apurou.

O enterro deve ocorrer nesta tarde, com sepultamento aberto ao público às 16h15, no cemitério de Congonhas, zona sul de São Paulo (SP). Young estava prestes a estrelar a peça Ainda Nada de Novo, onde vivia um casal de artistas com Fernanda Nobre. A estreia estava marcada para 12 de setembro.

Na TV, Young criou a comédia Os Normais para a Rede Globo, em 2001. Grande sucesso de audiência estrelado por Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães como o casal Vani e Rui, a série ficou no ar até 2003 e ganhou dois longas-metragens, em 2003 e 2009. Young lançou o seu primeiro romance, Vergonha dos Pés, em 1996. Continuou carreira de sucesso na literatura com títulos como

À Sombra das Vossas Asas (1997), Carta Para Alguém Bem Perto (1998) e As Pessoas dos Livros (2000). Entre 2002 e 2003, apresentou o programa Saia Justa, da GNT, ao lado de Rita Lee, Mônica Waldvogel e Marisa Orth. Na mesma emissora, comandou o Irritando Fernanda Young, programa de entrevistas que ficou no ar entre 2006 e 2010. Young foi indicada a dois Emmys internacionais, pelos seriados Separação?! (2010) e Como Aproveitar o Fim do Mundo (2012). Também escreveu e atuou na série de comédia Surtadas na Yoga, ao lado de Flávia Garrafa e Anna Sophia Folch, que a mesma GNT produziu entre 2013 e 2014. Seu trabalho mais recente foi na série Shippados, lançada pelo streaming Globoplay e estrelada por nomes como Tatá Werneck, Clarice Falcão e Eduardo Sterblitch.

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Imagem polêmica

Nos palcos, na TV, na literatura e na vida pessoal, Young não tinha papas na língua. “Não acredito que se masturbem com minha Playboy. Lendo meus livros, sim”, disse em entrevista ao UOL, se referindo ao seu ensaio para a revista masculina em 2009. Também falou da relação com Machado, que é roteirista e escritor: “Pensam que sou uma assistente do meu marido. É machismo puro!”. Certa vez, processou um hater que a chamou de “vadia lésbica” no Instagram. Saiu vitoriosa — em parte. O juiz reduziu o valor da indenização alegando que sua “reputação é elástica”, por ter posado nua e fazendo um gesto obsceno em uma revista. “O excelentíssimo crê que mulheres como eu provocam o caos”, ironizou ao UOL. “No frigir dos ovos, as pessoas entenderam que não sou perigosa. Sou honesta. Não abro mão da minha ideologia. Moderno é ser eterno”, completou. Em uma de suas últimas participações na TV, em entrevista ao programa Viver do Riso, de Ingrid Guimarães, Young contou de onde vem o seu humor: “Do desespero, do puro desespero”. *Colaborou Talita Marchao, do UOL em São Paulo

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