Suspeito de matar casal de dentistas em Colorado diz que crime foi motivado por dinheiro

Interrogado por várias horas, Nilmar dos Santos sempre alegou que agiu sozinho

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Nubio Lopes (delegado de Polícia Civil), PRF Luiz Vivian e inspetor da PRF em Vilhena, João Paulo Lobato, e major Diego Batista Carvalho (comandante do 3º BPM em Vilhena). (Foto: Renato Spagnol)

A força-tarefa policial que operou na prisão de Nilmar dos Santos, de 38 anos, e Francineia Costa de Oliveira, de 37 anos, suspeitos de um duplo homicídio na cidade de Colorado do Oeste (RO), nessa semana, revelou em coletiva de imprensa, na manhã de quarta-feira, 8 de julho, mais detalhes do crime bárbaro que resultou na morte do casal de dentistas Dionelia Giacometti e Eldon Mai. As vítimas foram assassinadas no domingo, 5, em Colorado, e os corpos foram encontrados na terça-feira, 7, cerca de 35 quilômetros um do outro.

O corpo da vítima Dionelia, de 74 anos, foi encontrado enterrado em uma cova rasa numa estrada rural que pertence ao município de Corumbiara, a cerca de 60 quilômetros do centro urbano de Colorado. Já o marido dela, Eldon, foi achado na mesma estrada cerca de 35 quilômetros mais adiante, já numa área que pertence à cidade de Chupinguaia. As vítimas foram estranguladas até a morte, segundo laudo preliminar da perícia. Para a Polícia Civil, os idosos foram vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte).

Casal foi sequestrado e morto em Colorado do Oeste e os corpos foram desovados em locais distintos. Mortes foram por asfixia mecânica, aponta laudo premilinar da perícia.

Empregada do casal alertou a polícia

A empregada doméstica do casal Dionelia Giacometti e Eldon Mai foi a primeira pessoa a alertar a polícia sobre o desaparecimento das vítimas. Em um depoimento prestado a policiais da 3ª Companhia de Polícia Ostensiva de Fronteira, de Colorado, ela revelou que havia sido convidada para almoçar com o casal no domingo, data do crime. Ela disse que quando foi na casa encontrou o imóvel aberto, mas sem nenhum dos moradores. Na cozinha, o fogão estava ligado. Sem conseguir contato com o casal, naquele momento, a mulher deixou o imóvel e voltou para sua casa, porém, já no final da tarde ela recebeu uma mensagem de WhatsApp do celular da patroa que a liberava do trabalho nessa semana. A empregada desconfiou da mensagem particularmente pelos erros gramaticais contidos no texto no texto, algo que sua patroa, com formação em odontologia, não costumava cometer. Segundo a polícia, a mensagem foi escrita por um dos suspeitos do crime, quando o casal já estava morto.

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Casal de dentistas Dionelia Giacometti e Eldon Mai foram mortos por estragulamento. (Foto: Reprodução/Rede social)

Inquilinos das vítimas confessam crime

Os suspeitos eram inquilinos dos idosos que lhes alugavam uma casa da rua Bahia, em Colorado, há três meses. O imóvel alugado fica ao lado da casa das vítimas. Segundo o delegado de Polícia Civil, Nubio Lopes de Oliveira, o investigado Nilmar atraiu a vítima Dionelia até a casa locada, por volta das 11h da manhã, dizendo que havia um vazamento na pia. A idosa, que segundo a polícia era bastante atenciosa, foi até o imóvel.

“Quando a idosa se abaixou para olhar o suposto defeito na pia o investigado [Nilmar] deu um golpe com um pedaço de madeira na nuca dela. A mulher desmaiou e depois foi estrangulada com uma corda”, revelou o delegado. Depois de matar a mulher o corpo foi deixado em uma despensa que era em desuso.

Por volta das 15h chegou na casa Eldon Mai. Segundo a polícia, o suspeito usou o mesmo argumento da pia com defeito para atrair o idoso até a casa.

“A cena se repetiu. O idoso foi olhar o defeito e também foi golpeado na cabeça por um pedaço de madeira. Depois ele foi estrangulado com um fio de arrame até morrer”, disse Nubio Lopes. O corpo de Eldon foi colocado ao lado da esposa, na despensa.

Francineia Costa de Oliveira, também investigada pelo crime, não estava com o marido Nilmar no momento em que os idosos foram mortos. De acordo com informações da polícia, ela teria saído da casa quando as duas vítimas foram assassinadas.

Casa revirada

Logo após as execuções, Nilmar vasculhou a casa dos idosos em busca de dinheiro e cartões de débito e credito. Na bolsa da vítima Dionelia ele encontrou cartões de banco e senhas de uma conta bancária da vítima anotadas em uma agenda e, na carteira de Eldon, ele achou R$ 300.

Os requintes de crueldade

Segundo a polícia, Nilmar usou uma faca de cozinha para cortar os dedos indicador e polegar, das duas mãos, de Dionelia. O objetivo era usar as digitais dela para sacar dinheiro na agência do Banco do Brasil, no Centro de Colorado. O suspeito chegou a ir até o banco por duas vezes na tarde do domingo, porém, não conseguiu sacar dinheiro algum.

Corpos desovados em locais distintos

Sob forte aparato policial, Nilmar levou a força-tarefa policial até os locais de desova dos cadáveres. – foto: NEDSC

Por volta da meia noite, de domingo para segunda-feira, Nilmar carregou os dois corpos no porta-malas do carro das vítimas e madrugada adentro seguiu por estradas rurais da região. O cadáver da mulher foi enterrado próximo à margem de uma estrada rural que pertence ao município de Corumbiara. Para abrir a cova, o suspeito levou uma enxada de casa. Já os restos mortais de Eldon foram enterrados 35 quilômetros mais adiante, já nos limites de Chupinguaia. A ferramenta agrícola, usada para abrir as covas, foi encontrada a poucos metros do corpo do homem.

Durante o depoimento Nilmar teria revelado que um motoqueiro passou na estrada no momento em que ele enterrava o corpo da mulher. Por isso decidiu desovar o corpo do homem em outro ponto da estrada.

Um passo atrás

Às vésperas de cometer o duplo homicídio Nilmar e Francineia mandaram os filhos, dois rapazes maiores e uma menina de 10 anos, para Vilhena. Os três ficaram hospedados em um hotel. Em depoimento, o casal alegou que estava de mudança para o Mato Grosso e que os filhos vieram na frente porque daqui, seguiriam para o estado vizinho.

A fuga para Vilhena e a prisão

Por volta de 3h40 da madrugada, já na segunda-feira, 6, Nilmar, que alega ter agido sozinho, voltou para casa em Colorado e pegou a esposa e seguiu viagem para Vilhena no carro das vítimas. Aqui, ele levou o veículo até um lavador de carros no bairro Cristo Rei e mandou fazer uma lavagem geral do automóvel. Depois, foi com o carro até o estacionamento do Terminal Rodoviário na margem da BR-364, onde deixou o veículo estacionado. O local era estratégico para a fuga e próximo do hotel onde os filhos estavam hospedados.

Segundo a polícia, os suspeitos passaram toda a segunda-feira em Vilhena e usaram em comércios da cidade o cartão de crédito da vítima Dionelia. Já no final da tarde o filho mais velho do casal pegou um táxi e foi para Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso.

Já por volta das 5h25, de terça-feira, 7, Nilmar e a esposa Francineia, com a filha de 10 anos, embarcaram no carro das vítimas com destino ao Mato Grosso. Eles foram parados no posto policial da PRF próximo à divisa do estado. Àquela altura, a força-tarefa das polícias Civil e Militar e PRF já estavam em operação para encontrar o casal de idosos desaparecidos e o veículo.

Segundo o inspetor da PRF em Vilhena, João Paulo Monteiro Lobato, os agentes rodoviários fizeram buscas pelo interior do carro e localizaram o celular de uma vítima. Ao abrir a galeria de fotos, foram encontradas provas que o aparelho era da idosa morta. No carro os policiais encontraram um caderno com anotações detalhadas e o planejamento de cada etapa do crime. “Todas as etapas do crime estavam anotadas no caderno”, revelou o inspetor.

Após a prisão do casal a filha de 10 anos foi entregue ao Conselho Tutelar de Vilhena. Já o rapaz que viajou de táxi foi localizado em Campo Novo e detido. A polícia ainda não sabe se ele tem participação no crime. O terceiro filho, que permaneceu em Vilhena, foi detido com uma namorada menor de idade, em um hotel próximo ao terminal rodoviário. A polícia também não sabe se ele tem envolvimento nas mortes.

Os corpos das vítimas só foram localizados após a prisão do casal. Sob forte aparato policial, Nilmar levou a força-tarefa policial até os locais de desova dos cadáveres.

Suspeito que diz ter agido sozinho alegou “desespero financeiro”

Interrogado por várias horas, Nilmar dos Santos sempre alegou que agiu sozinho. “Ele assumiu a responsabilidade e inocentou a esposa Francineia”, disse Lopes. No entanto, a mulher está em prisão temporária de 30 dias, para que as investigações apontem se ela teve alguma participação no crime. Além de suspeita do crime, ela tinha um mandado de prisão em aberto pelo crime de tráfico de drogas, cometido em Jaru (RO).

Sobre o que teria motivado o crime, Nilmar alegou em depoimento que estava de mudança para o Mato Grosso e passava por dificuldades financeiras e viu a possibilidade de conseguir dinheiro matando o casal de dentistas.

Investigações prosseguem

Os suspeitos permanecem presos em Vilhena, mas poderão ser transferidos para Colorado do Oeste, onde se dará o prosseguimento da investigação sobre caso. O veículo das vítimas foi apreendido e está na Unidade integrada de Segurança Pública de Vilhena.

 

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