Revoltado com denúncia de superfaturamento no combate ao coronavírus, governador passa a atacar a imprensa

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governador Marcos Rocha (PSL) tem demonstrado grande indignação, não com quem denuncia supostas irregularidades na Secretaria Estadual de Saúde – no caso, os deputados estaduais – mas com quem divulga as denúncias: a imprensa, ou alguns poucos veículos de comunicação.

Nos últimos dias, parlamentares têm dito abertamente que setores da Secretaria Estadual de Saúde de Rondônia têm aproveitado a pandemia do coronavírus – e o aumento nos casos de contaminação da população – para tentar fazer esquema com o dinheiro público na aquisição de materiais para combater o vírus.

s denúncias surgiram na Assembleia Legislativa, que, inclusive, convocou o secretário de Saúde, Fernando Máximo, para explicar as supostas irregularidades. Despreparado, o secretário saiu-se muito mal e não convenceu os parlamentares de que na sua pasta não esteja ocorrendo esquema de corrupção utilizando a pandemia.

Nas suas gravações diárias no Facebook, o governador Marcos Rocha (PSL), em vez de explicar o que está de fato acontecendo com o dinheiro público, passou a atacar o mensageiro (a imprensa) porque não gostou da mensagem, ou seja, revoltou-se com as notícias sobre suposto esquema de corrupção em sua administração.

O fato é que o Governo Marcos Rocha, segundo os deputados estaduais, iria alugar ambulâncias com UTI ao preço unitário, mensal, de R$ 187 mil, um negócio considerado superfaturado e que só não foi à frente porque os parlamentares questionaram e a imprensa divulgou.

A intenção de fazer a contratação a preço exorbitante foi confirmada pelo superintendente estadual de licitação, Márcio Rogério Gabriel, em audiência na Assembleia Legislativa. Mas o secretário Fernando Máximo e o governador Marcos Rocha desmentiram o superintendente.

Agora foi a vez do adjunto da Saúde, Nélio Souza,  desmentir o governador e o secretário quanto a outra denúncia de superfaturamento aproveitando a onda do coronavírus.

Nélio confirmou aos deputados que o Governo Marcos Rocha comprou 78 mil frascos de álcool gel de 500 ml ao preço de R$ 1.248.000,00. Uma segunda compra do mesmo produto, no total de 113 mil litros, custou R$ 1.356.000,00. Detalhe: nesta segunda aquisição, a quantidade por embalagem é de um litro.

Na realidade, o Governo Marcos Rocha comprou uma unidade de 500 Ml de álcool em gel pelo valor unitário de R$ 16,00 e adquiriu a unidade de 1 litro por R$ 12. Pelo menos foi o que afirmou, na presença dos deputados, o secretário–adjunto da saúde.

Inconformado com todas estas denúncias, o governador se voltou não contra os deputados, pois tem medo da possibilidade da Assembleia Legislativa abrir uma CPI para apurar os supostos esquemas  na Sesau e em outras secretarias, inclusive a comandada pela sua mulher, Luana Rocha, e resolveu passar a atacar a imprensa, que apenas divulgou os fatos.

Fonte: Tudo Rondônia