A greve nacional dos Correios, iniciada nesta sexta-feira (11), pode comprometer uma das principais medidas previstas no plano de recuperação financeira da estatal: a expectativa de reduzir em R$ 700 milhões por ano as despesas a partir de 2027.
As informações são da coluna Radar Econômico, do portal Veja, que aponta que a economia projetada está relacionada à reestruturação do plano de saúde oferecido aos funcionários.
A proposta prevê a criação de um grupo responsável por estudar alternativas para o atual modelo de assistência médica. O prazo para apresentação das conclusões seria de até 120 dias, mas a contagem só começaria após a assinatura de um acordo coletivo entre a empresa e os trabalhadores.
O tema está entre os pontos de maior resistência dos funcionários e contribuiu para o início da paralisação. Entre as reivindicações está a manutenção da garantia de que os Correios continuem como responsáveis pelo plano de saúde.
Caso um acordo fosse firmado imediatamente, o período de quatro meses previsto para os estudos levaria a conclusão para janeiro de 2027. Depois disso, eventuais mudanças ainda precisariam passar por análises técnicas, jurídicas, atuariais e econômico-financeiras, além das aprovações internas.
A economia de R$ 700 milhões é considerada uma das medidas de maior impacto financeiro dentro do plano de reestruturação acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Segundo a publicação da Veja, o próprio tribunal já havia apontado que a estimativa de economia não estava respaldada por estudos atuariais quando o plano foi analisado.
A paralisação ocorre em um momento delicado para a estatal, que também busca novos recursos para enfrentar a crise financeira.
Os Correios solicitaram ao Tesouro Nacional garantia para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. O pedido ocorre após a empresa ter obtido R$ 12 bilhões em crédito no fim de 2025.
O TCU acompanha a execução do plano de recuperação e já alertou para os riscos fiscais caso haja um descumprimento significativo das medidas previstas.
Minha encomenda pode atrasar?
A greve dos Correios pode causar atrasos nas entregas, mas isso não significa que todas as encomendas serão afetadas. O impacto depende da adesão dos funcionários, da região de origem e destino e da etapa em que o pedido se encontra.
Quem já fez uma compra deve acompanhar o rastreamento para verificar possíveis alterações no prazo de entrega.









