
Uma capacitação promovida pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO) reforçou a importância de investigações policiais qualificadas para garantir condenações justas em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, principalmente em crimes praticados no ambiente virtual.
O evento aconteceu na última segunda-feira, 11 de maio de 2026, em Porto Velho, dentro da programação da campanha Maio Laranja, mobilização nacional voltada ao enfrentamento da violência sexual infantojuvenil.
A palestra foi ministrada pela delegada da Polícia Federal Rafaella Parca, coordenadora nacional de combate a crimes cibernéticos relacionados ao abuso sexual de crianças e adolescentes.
Durante a capacitação, a delegada destacou que investigações estruturadas, conduzidas por equipes especializadas e com protocolos adequados de proteção às vítimas, são fundamentais para responsabilizar corretamente os autores dos crimes.
Segundo ela, os abusos podem ocorrer tanto no ambiente digital quanto de forma presencial. Entre os crimes mais recorrentes investigados pela Polícia Federal estão estupro virtual, produção, armazenamento, compartilhamento e comercialização de imagens de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes.
A palestrante alertou ainda para o crescimento da venda desse tipo de material criminoso nos últimos anos, impulsionado pelo uso de criptomoedas e transferências via Pix.
Rafaella Parca também explicou que muitos criminosos utilizam perfis falsos nas redes sociais para conquistar a confiança das vítimas e depois praticar chantagens para obtenção de fotos e vídeos íntimos.
Durante a exposição, foram apresentadas estratégias utilizadas pela Polícia Federal no combate aos crimes, incluindo o fator surpresa durante operações, coleta adequada de provas digitais, proteção das vítimas e análise detalhada dos materiais apreendidos.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de individualização dos crimes nas investigações, permitindo que Ministério Público e Poder Judiciário tenham elementos suficientes para responsabilização proporcional dos autores.
Dados apresentados durante a capacitação apontam que, a cada dez estupros registrados no país, oito têm como vítimas crianças e adolescentes. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 84% dos autores são pessoas próximas das vítimas, e grande parte dos casos ocorre dentro da própria residência.
A abertura da programação contou com a participação do ouvidor-geral do MPRO, Carlos Grott, e do procurador-geral de Justiça, Alexandre Jésus de Queiroz Santiago, que destacaram a importância da atuação integrada das instituições no enfrentamento desse tipo de crime.
A capacitação reuniu integrantes das Polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal, além de representantes do Exército, Marinha, ABIN e Defensoria Pública de Rondônia.
Denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100 e pelos canais oficiais do Ministério Público de Rondônia.








