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Pai chora morte de filha recém-nascida no hospital Regional

Na manhã de ontem, uma recém-nascida morreu no Hospital Regional e a família não se conforma com o óbito, questiona o atendimento e registrou boletim ocorrência para saber as reais causas do falecimento do bebê.

De acordo com o caminhoneiro Carlos Antônio da Silva, morador do Bairro 5º BEC, sua esposa Leidiani da Silva Falcão começou a sentir contrações às 4h00 desta quinta-feira, 18 de agosto. Com isso, ele levou a gestante para o Hospital Regional.

Ao chegar ao hospital, por volta das 4h20, Carlos disse que a esposa, acompanhada da irmã, Fernanda da Silva Falcão, foram encaminhadas a sala de pré-parto. Porém, quando chegaram ao local, Fernanda enfatizou que apertou a campainha diversas vezes, mas ninguém veio atendê-las. “Minha irmã estava perdendo liquido, a cadeira que ela estava sentada ficou ensopada. Eu apertava a campainha, mas ninguém nos atendeu”, revelou a tia da criança.

Fernanda contou que Leidiani só foi atendida às 6h00, quando funcionárias do hospital ajudaram a acionar os profissionais que deveriam estar de plantão. “Chegou uma enfermeira e disse que não tinha ouvido o barulho da campainha, mas nós a tocamos inúmeras vezes”, disse a irmã da gestante.

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Depois disso, Leidiani recebeu atendimento e segundo Fernanda, os batimentos do bebê estavam normais. Ela contou ainda, que não pôde entrar com a irmã na sala de parto e que uma enfermeira disse que poderiam ir para casa, pois não precisava pressa para o bebê nascer. “Às 9h00 foi a última vez que falei com minha irmã antes do parto, através de celular. Naquele momento, ela disse que uma medicação tinha sido aplicada no soro, para ajudar a criança a nascer”, lembrou.

Leidiani descreveu que por volta das 10h40 passou por uma cesariana, onde a filha foi tirada rapidamente. Vitória, nome escolhido pelos pais, nasceu com 2.500 quilogramas.

A tia do bebê relatou que às 11h00 recebeu a notícia que o parto tinha acontecido. Nisso, a família foi para o hospital ver a recém-nascida. Mas, quando chegaram ao quarto, o médico estava presente e deu a notícia do falecimento da criança. “Fiquei desesperado, deu vontade de chamar a polícia, pois não entendia como isso podia ter acontecido”, desabafou Carlos Antônio.

Leidiani revelou que este é o segundo filho do casal, porque há 5 anos, ela teve um menino que faleceu, após 2 meses e 2 dias de vida. Ela conta que num certo dia, as unhas e boca do bebê ficaram rochas, o olho estalado e o corpo frio. Depois de uma noite internado a criança faleceu. Contudo, Leidiani disse que até hoje não sabe ao certo o motivo da morte, pois um médico teria diagnosticado pneumonia e outro desnutrição.

Já nesta gravidez, a parturiente assegura que realizou todos os exames de pré-natal e que estes não apontavam nenhuma anormalidade. “A Vitória era muito esperada e amada por toda a família”, disse Leidiani.

BOLETIM DE OCORRÊNCIA

Após a morte da filha, Carlos Antônio foi até a Delegacia de Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência, solicitando uma necropsia no corpo do bebê. “Eu não estou acusando ninguém, mas quero saber o que de fato aconteceu com minha menina”, enfatizou.

O médico legista, Maurício Brasileiro, começou a necropsia ontem às 18h00. Segundo ele, o procedimento iria durar uma hora e após avaliação também dos exames de pré-natal, o resultado da análise será emitida em 10 dias.

MÉDICOS

O médico obstetra, Gilberto dos Santos, que fez o parto de Leidiane garante que a morte do bebê foi uma fatalidade. Ele explica que a gestante chegou ao hospital com 37 semanas e 4 dias e por isso a criança ainda não estava no momento de nascer. No entanto, como a bolsa já tinha se rompido o médico elucidou que o procedimento de costume é deixar evoluir para o parto normal, visto que a gestante já teria passado pelo mesmo, na última gravidez.

Porém, durante observação da paciente, foi percebido que os batimentos da criança estavam diminuindo. “O bebê estava sofrendo dentro da barriga e foi tirado com urgência, através de cesariana”, disse Gilberto.

O pediatra Juan Fred Ebert expôs que a criança não chorou ao nascer e que os batimentos estavam muito abaixo do normal. Segundo ele, depois do nascimento foi realizado técnica de reanimação na criança, mas mesmo assim não foi possível salvá-la.

Os dois médicos, obstetra e pediatra, concordam e afirmam que a morte de Vitória foi conseqüência de uma parada cardiorrespiratória, que pode ter sido derivada de uma cardiopatia congênita (doença que apresenta anormalidades da estrutura ou função do coração da criança ao nascer).

“Com tranqüilidade e com a experiência que tenho, afirmo que esta morte não foi motivada por falta de assistência ou de atendimento e sim uma fatalidade”, ressaltou o médico obstetra.

A reportagem do Vilhena Notícias constatou que a campainha da sala de pré-parto está funcionando, contudo não conseguiu conversar com o diretor do Hospital Regional, Adilson Rodrigues, sobre os plantões, pois o mesmo estava em reunião.

Enquanto isso, a família está inconformada com a morte do bebê. “Ahh minha menininha. Conversava tanto com você dentro da barriga da mamãe”, exclamou Carlos Antônio emocionado, enquanto tocava e beijava o corpo de sua filha, sobre a maca no necrotério.

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