Pacientes reclamam de demora no atendimento e falta de médicos na UPA de Vilhena

Diretora da Unidade de Pronto Atendimento afirma que haviam 3 médicos de plantão e diz que a UPA só deve ser procurada pela população em casos de urgência e emergência.

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Pacientes denunciam demora no atendimento na Unidade de Pronto Atendimento

Na noite de quarta-feira (06) o VILHENA NOTÍCIAS recebeu várias denúncias de pacientes que aguardavam atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Vilhena. Um dos denunciantes identificado como Josemar Queiroz, estava na UPA  acompanhando uma criança e entrou em contato com a nossa redação após deixar a Unidade de Pronto Atendimento, pois várias pessoas ainda permaneciam há várias horas sem receber atendimento.

A reportagem do jornal chegou na UPA por volta das 19:40 e constatou que várias pessoas aguardavam atendimento, algumas desde às 13h. Logo ao chegar, nos deparamos com um rapaz que por conta de uma colisão em um cachorro, havia sofrido uma queda de moto com sua esposa e ela ainda aguardava atendimento. Ele e a esposa estavam com várias escoriações, o homem reclamou que foi liberado para ir para casa, porém os ferimentos dele e da esposa nem chegaram a ser limpos. Sua esposa aguardava para fazer um raio x.

Um homem identificado como Carlos contou para nossa reportagem que estava com a esposa que deu entrada na UPA com dormência em uma das pernas. Ela chegou por volta das 17h e até às 19h não havia sido atendida.

“O atendimento estava demorando muito, então reclamei com o médico e ele me falou para acionar a Polícia Militar. Ao acionar a PM fui informado que eles não poderiam comparecer ao local naquele momento”, conta Carlos.

Carlos gravou um vídeo para mostar quantas pessoas aguardavam atendimento.

Logo após conversar com a nossa reportagem, a esposa de Carlos foi atendida e liberada para ir embora.

No corredor da UPA encontramos várias pessoas aguardando atendimento entre elas, várias crianças. Uma criança de 10 anos estava deitada no colo da mãe aguardando atendimento desde às 14 horas. Vários pacientes que conversaram com a nossa reportagem afirmaram que havia apenas um médico atendendo. Outros pacientes disseram também que havia apenas um médico atendendo e que após às 18h mais um médico chegou iniciou os atendimentos.

Alguns pacientes relataram que foram tratados de forma grosseira por alguns servidores da UPA ao reclamarem da demora no atendimento.

O QUE DIZ A DIREÇÃO

Procuramos a direção da UPA e fomos recebidos pela nova diretora da Unidade de Pronto Atendimento, Cleivete Lucas. Ela nos informou que naquele momento haviam 3 médicos atendendo, revezando entre Urgência e Emergência, Sala Amarela e a Clínica, e que o grande fluxo de pessoas naquele horário se deve ao fato das Unidades Básicas de Saúde funcionarem até as 18h.

Cleivete Lucas assumiu a direção da Unidade de Pronto Atendimento recentemente, e orienta a população a procurar atendimento na UPA somente em situações de urgência e emergência. Caso contrário, os pacientes devem procurar a UBS do seu bairro

“Estamos com várias pessoas aguardando regulação para outros municípios, muitos casos de pneumonia, pessoas infartadas, fora as pessoas que sofreram algum trauma. Nós temos 3 médicos atendendo, porém eles revezam entre Urgência e Emergência, Sala Amarela e a Clínica. Muitas vezes os médicos saem para atender outro paciente na Urgência e Emergência e os pacientes que estão nos carredores aguardando acham que tem apenas um médico atendendo”.

Cleivete explica também que alguns pacientes podem ser atendidos nas UBS do seu bairro e que isso evitaria o grande fluxo que pessoas na UPA.

“Pacientes com dores moderadas e febre baixa podem procurar a UBS do seu bairro, traumas, acidente e infarto serão atendidos com prioridade e pacientes que estão com dor de cabeça, febre baixa e dores moderadas, precisarão aguardar atendimento. Temos um protocolo para seguir. Os médicos além dos atendimentos precisam acompanhar as regulações de pacientes para outros municípios e quando não há vagas, os médicos precisam atender os pacientes que chegam e os que já estão aqui e ainda necessitam de acompanhamento”.

Quanto às denúncias de que alguns pacientes foram tratados de forma grosseira ao reclamar da demora, ela explica que acredita que é uma situação que pode ter acontecido sim, porém, não na sua presença.

“Infelizmente existe o descaso sim, não vou dizer que não existe. Mas quando eu estou por aqui não tem esse desconforto. Alguns servidores que estavam sobrecarregados saíram de férias, e estamos tentando aliviar os servidores para melhorar o atendimento à população”.

Cleivete explica que muitas vezes alguns pacientes acabam indo buscar atendimento na rede particular e chegando lá também precisam aguardar atendimento e acabam retornando para UPA.

“Os pais de um bebê recém nascido estavam aguadando atendimento e em dado momento, o pai furioso, invadiu o consultório da médica que estava com um paciente infartado. Pedi para que ele tivesse calma, que o bebê logo seria atendido, mas ele preferiu levar o filho para a rede particular. Chegando lá ele precisou aguardar e foi informado que não havia pediatra. Ele retornou com o bebê para a UPA, porém o estado de saúde do bebê havia piorado. Agora o bebê está esperando para ser regulado”.

QUANDO PROCURAR A UPA?

A UPA deve ser procurada nos casos de emergência, ou seja, nos casos em que a doença do paciente implica um risco iminente de morte e se não for tratado rapidamente; ou de urgência, considerado uma situação clínica, sem risco de morte, mas que se não for tratada poderá trazer complicações mais graves ao paciente.