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Carol Andreazza: Beleza x Capacidade

Quando comecei a advogar lembro que me comparavam com a Advogada do Legalmente Loira (filme), sempre fui cheia de frufruzinho.

Depois de mostrar serviço minha chefe na época confessou que quando me viu entrando pela primeira vez na Defensoria, toda combinadinha e de blush rosa na cara, pensou que eu seria mais uma “patricinha mimada”, e que, certamente, eu não me engajaria no trabalho. Ela não imaginava que eu pudesse me esforçar tanto, a ponto de me confiar, por algumas vezes, representar a Instituição em eventos como o MP Cidadão, que existia na época.

Fico feliz de tê-la feito mudar de ideia, mas paro pra refletir: Por que cargas d’água uma pessoa vaidosa não pode ser engajada? Há alguma relação ou incongruência entre beleza e inteligência? Uma pessoa inteligente, necessariamente, não pode ser bonita? Não posso gostar de maquiagem e hermenêutica jurídica, ao mesmo tempo? Estereótipos não me fascinam, muito menos me enganam. Nesse mundo de tantas aparências, estigmas e padrões, quem é você de verdade?

Aparências iludem, e padrões foram feitos para serem quebrados. Veja bem: é muito melhor ser, e não parecer, a parecer, e não ser. Não opto exclusivamente por beleza, ou por inteligência. Eu olho no espelho e tenho orgulho do que vejo, por inteiro. Sabedoria pode ser adquirida por quem quiser, afinal, todos nós temos cérebro. E a beleza? Ah, ela está nos olhos de quem vê.

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Podemos sim ser boas profissionais, mulheres, jovens e bonitas.

Carol Andreazza

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