Cuiabana com duas cavidades vaginais viraliza nas redes sociais

Por acreditar que pudesse ter outras pessoas com a mesma anomalia, ela resolveu expor sua condição na internet.

95028
Maisa Rodrigues descobriu a anomalia na adolescência

A massagista Maisa Rodrigues, de 27 anos, descobriu na adolescência que possui duas cavidades vaginais – anomalia rara conhecida como (útero didelfo). Anos após a descoberta, ela resolveu tornar pública sua história e, por meio das redes sociais, ela ajuda diversas mulheres. Maisa também aproveita para contar histórias bizarras que aconteceram com ela.

Isa, como gosta de ser chamada, contou ao  que descobriu sua condição tardiamente, aos 17 anos. A descoberta aconteceu depois de uma relação sexual com o ex-marido, no início do casamento.

Ela explicou que era virgem quando se casou e reparou que sentia muitas dores durante a relação sexual, além de ter que ser hospitalizada constantemente em razão de diversas hemorragias.

“No ultrassom, o médico falou: ‘uau, você tem dois úteros. Você não sabia?’. Eu falei que nunca tinha ido ao ginecologista e não fazia a mínima ideia de que isso existia. O médico continuou o ultrassom e de repente falou que eu tinha dois colos uterinos. Aí, eu falei: ‘Doutor, o senhor já está me assustando’. Ele explicou que era uma anomalia e que faríamos uma ultrassom transvaginal. Foi então que ele falou: ‘Isa, você também nasceu com duas cavidades vaginais’”, contou.

“Eu tive que me adaptar. Até os 17 anos eu não conhecia o meu corpo. Não tinha ideia do que eu tinha. Não me tocava, não me olhava. Hoje vemos mulheres dando autoconhecimento, [incentivando a] pegar o espelho e se tocar. Eu não fazia isso. Era um bloqueio enraizado pela minha criação bem tradicional e cheia de tabus”.

Apesar de possuir dois úteros, dois colos uterinos e dois canais vaginais, externamente, Maisa tem apenas uma vulva e um clitóris, o que faz com que essa anomalia seja quase imperceptível.

A massagista revelou que foram meses de aprendizado, medo e descobertas. Ela afirmou que chegou a procurar na internet histórias semelhantes, mas não achou nenhuma no Brasil. Por acreditar que pudesse ter outras pessoas ou adolescentes passando pelo mesmo, ela resolveu expor sua condição na internet.

Então, há cerca de um ano, começou a publicar os primeiros vídeos no Instagram e TikTok, onde acumula mais de 10 mil e 76 mil seguidores, respectivamente. Segundo ela, diariamente recebe relatos de pessoas que possuem filhas que estão na mesma situação.

“O mais recente caso, que eu fiquei com muita amorosidade, foi uma mãe com uma filha de dois anos. Ela descobriu com a bebê ainda na barriga, por um exame de rotina. Era a mesma condição: dois canais vaginais e dois úteros. Ela veio falar comigo porque ainda tinham muitas perguntas na cabeça dela. Ela perguntou: Isa, qual a dica e o conselho que você me dá? O mais importante que falo, independente da idade, é: procure um ginecologista de confiança”, disse.

“Chegou a menstruação, [tenha] muito diálogo e acompanhamento médico se possível. Vai mexer muito com o psicológico dela. Vai demorar para ela raciocinar o que está acontecendo. Entrou na fase da relação sexual, [também é preciso] conversar. É ela se conhecer, se sentir autoconfiante – porque uma mãe precisa ser amiga. (…) Quando tem o apoio de uma mãe, nessa condição, e autoconhecimento, tudo muda para melhor”, completou.

 

“Pior sexo da Isa”

Em uma de suas publicações, a massagista contou uma história inusitada que viveu durante um “lance” que teve com um homem. Ela disse que estava se relacionando com ele, mas não contou que tinha duas vaginas. Durante a transa, aconteceu de o cara descobrir e ele ficou chocado.

Ela explicou que as duas cavidades vaginais que possui são diferentes uma da outra, sendo que uma tem a “profundidade” maior que a outra.

“Eu não queria que ele soubesse. É até chato ter que ficar dando explicações sobre isso. Mas, durante o ato, ele escapou de uma cavidade e foi para outra. Daí ele parou no meio do ‘negocio’ e me perguntou o que tinha acontecido. Eu comecei a dar risada. Me sentei na cama e tive que desenhar pra ele. Acho que essa foi a pior transa da minha vida”, lembrou a massagista.

Apesar de hoje dar risada do acontecido, a história serve de alerta para que os homens também possam saber que existem mulheres, como ela classificou, “diferentes”.

 

Útero didelfo

O útero didelfo é uma das malformações uterinas que acaba formando dois úteros, podendo ter cada um a sua abertura, ou terem ambos o mesmo colo uterino. A condição rara atinge 1 em cada 3 mil mulheres.

Assim como no caso de Maisa, a maioria das mulheres só descobre a condição na primeira consulta ao ginecologista. Isso, porém, não impede a mulher de engravidar. Entretanto, o risco de infertilidade, aborto e parto prematuro é muito maior do que nas mulheres com um útero normal.

Apesar dos riscos, Maisa possui dois filhos, de 8 e 6 anos. O primogênito nasceu prematuro com 32 semanas e passou por volta de um mês no hospital internado, mas depois tudo se resolveu. O segundo filho, veio dois anos depois. A criança nasceu tão saudável que foi diretamente para casa após o parto.

“A maioria das pessoas acham inconveniente que eu fale sobre ter dois úteros e dois canais vaginais. Lido com assédio e comentários grotescos, que gostaria de não ter que lidar. Por outro lado, é satisfatório levar minha experiência a outras mulheres e poder dar dicas de autoconhecimento”, finalizou a massagista.

“Eu fico feliz em ajudar e quero continuar com isso, quero desmistificar e falar aberto sobre esse Tabu”, finalizou.