A indústria de games no Brasil: do entretenimento ao pilar da economia criativa

1240

A indústria de jogos eletrônicos no Brasil passou, na última década, de nicho de entretenimento a um dos pilares da economia criativa do país. Estimativas recentes apontam um mercado bilionário, com forte potencial de expansão e crescente atenção de marcas e investidores nacionais e internacionais. Este artigo, fornecido pelo nosso parceiro de confiança PixelPorto, abordará os fatores mais importantes.

Tamanho do mercado e relevância regional

Dados de entidades setoriais indicam que o Brasil já reúne mais de 100 milhões de jogadores, o que faz do país um dos maiores públicos consumidores de games do mundo. Em 2023, pela primeira vez, o número de jogadores na América Latina superou o da América do Norte, com o Brasil exercendo papel central nesse movimento. Essa combinação de escala populacional e alta taxa de adoção cria um cenário em que o mercado local se torna referência obrigatória para empresas globais de games.

Perfil e hábitos da população gamer

A Pesquisa Game Brasil 2024 mostra que 73,9% da população afirma jogar algum tipo de jogo digital, confirmando a presença dos games no cotidiano da maioria dos brasileiros. O smartphone permanece como plataforma favorita, concentrando 48,8% da preferência, enquanto computadores e consoles mantêm parcelas relevantes do público. Entre crianças e adolescentes menores de 15 anos, 82,8% jogam, evidenciando como a cultura dos games se consolida desde cedo.​

O Ministério da Cultura estima que mais de 150 milhões de brasileiros têm contato com jogos eletrônicos, reforçando o caráter massivo e diverso dessa forma de entretenimento.​

Crescimento dos estúdios e estrutura produtiva

Relatórios da Abragames indicam que, mesmo em anos de retração global, a demanda por jogos no Brasil continuou crescendo, com alta de 3% em 2022 em contraste com queda de 5,3% no cenário mundial. Entre 2018 e 2022, o mercado nacional expandiu cerca de 169% e movimentou aproximadamente R$ 2,2 bilhões em 2022, segundo levantamento em parceria com a ApexBrasil. Pesquisas mais recentes apontam aumento no número de estúdios nacionais e consolidam o país como polo relevante de desenvolvimento independente.

Fatores que impulsionam o desenvolvimento

A popularização da internet banda larga móvel e a maior oferta de dispositivos a preços acessíveis facilitaram a entrada de novos jogadores de diferentes perfis socioeconômicos. Programas públicos, eventos setoriais e a visibilidade de eSports e criadores de conteúdo também reforçam a presença dos games no imaginário coletivo. Ao mesmo tempo, o ecossistema brasileiro dialoga com tendências globais como jogos como serviço, cloud gaming e uso de inteligência artificial no desenvolvimento.

Desafios e perspectivas

Apesar do avanço consistente, o setor ainda lida com desafios estruturais: acesso a financiamento, capacitação de mão de obra e assimetria entre grandes centros urbanos e regiões periféricas. Há também necessidade de maior previsibilidade regulatória e de políticas de longo prazo voltadas à economia criativa digital. Por outro lado, o crescimento contínuo da base de jogadores, a consolidação dos eSports e o interesse de grandes marcas indicam que a indústria de jogos no Brasil deve seguir em expansão, fortalecendo-se como área estratégica da economia e da cultura nacional.