Colorado do Oeste: Funcionários do Hospital Municipal falam sobre acusação de estarem “roubando” internet

“Não “roubamos” internet do hospital e também não haviam roteadores “clandestinos”, afirma funcionário do Hospital Municipal Dr. Pedro Granjeiro Xavier.

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Hospital Municipal Dr. Pedro Granjeiro Xavier

Funcionários do Hospital Municipal Dr. Pedro Granjeiro Xavier de Colorado do Oeste procuraram a redação do VILHENA NOTÍCIAS para justificar os roteadores de internet que foram instalados na unidade hospitalar por conta dos próprios funcionários.

Segundo os eles, a rede de internet particular foi instalada para que eles pudessem utilizar em serviço.

“Nós não temos acesso à rede de internet do hospital fornecida pela prefeitura. Nós estávamos usando dados móveis, cada profissional que precisava de internet pagava do próprio bolso. Nós colocamos por conta própria outra rede de internet. Admitimos que realmente não pedimos a autorização da direção do hospital, mas não fizemos nada escondido. Os roteadores estavam expostos desde 2018/2019”, declara um dos funcionários.

Outra funcionária explica a importância do uso da internet dentro do hospital

“Para regular um paciente (remover de um município para outro) é preciso entrar em contato com a Central de Regulação de Urgência e Emergência (CRUE), a Central irá localizar qual município tem a vaga disponível para o paciente. Nós enviamos pelo WhatsApp os documentos pessoais e cartão do SUS do paciente para agilizar o atendimento. Esse procedimento é usado principalmente para pacientes com Covid, e evita que a equipe fique se deslocando com o paciente de um município para outro sem contato com a equipe do CRUE. O mesmo acontece com setor de Assistência Social de Vilhena, precisamos enviar os documentos para a liberação de tomografias de pacientes”.

Outro funcionário diz que um técnico da empresa responsável pelo fornecimento de internet para o hospital chegou a acusá-los de estar “roubando” internet do hospital.

“Não “roubamos” internet do hospital e também não haviam roteadores “clandestinos”. A internet que usávamos era paga por nós, para que pudéssemos agilizar atendimentos. Ela era usada por vários funcionários do hospital. Não fizemos nada escondido da coordenação e direção do hospital. Agora precisamos utilizar nossos dados móveis e linha móvel particular para o agilizar os atendimentos, pois continuamos sem acesso à internet e telefone fixo do hospital”.

Ao todo, haviam 07 roteadores ligados à rede de internet dos funcionários, e eles ficavam nos seguintes setores: Pronto-Socorro, Recepção, Isolamento Covid, Central, Clínica e Setor dos Motoristas.  No laboratório havia somente um roteador que, segundo os funcionários, já estava lá bem antes do início da pandemia.

“Muitos de nós não temos a senha do telefone fixo. Nem todos os setores do hospital possui ramal. Então quando precisamos atender uma ligação, na maioria das vezes temos que nos deslocar de um setor para outro. Agora imagine toda essa situação com um paciente que precisa de atendimento urgente. Imagine que esse mesmo paciente precise do médico e ele esteja em outro setor do hospital. Acabamos ligando via WhatsApp. É para esse tipo de situação que precisamos de acesso à internet”, enfatiza o funcionário.

 

PANDEMIA

Os funcionários alegam que durante o pico da pandemia, o uso da internet foi fundamental.

“Quando um paciente era regulado para outro município para fazer tomografia, por exemplo, após o exame, o profissional que o acompanhou já enviava o laudo para o médico e dependendo da condição de saúde do paciente, o profissional já entrava em contato com a Central de Regulação de Urgência e Emergência (CRUE), para que o paciente recebesse atendimento o mais rápido possível. E mais uma vez, utilizando nossos dados móveis e celular pessoal. Só quem está de linha de frente contra o Covid sabe do que estou falando. É muito triste escutarmos que queremos internet para assistir Netflix e usar as redes sociais. Só nós sabemos a exaustão física e mental que tivemos durante o pico da pandemia. Eu acho um descaso muito grande com a equipe de enfermagem e a equipe médica. Parece que não temos valor como profissionais.”, desabafa uma funcionária.

 

RAIO X

Segundo informações dos profissionais, chegou até eles a informação de que a internet que eles utilizavam estava dando conflito com a impressora do aparelho de raio x. Os funcionários desmentem essa informação, alegando que a impressora funciona via wifi, e que raramente um paciente tem em mãos o raio x impresso.

“Infelizmente é a nossa realidade. É vergonhoso. O paciente muitas vezes vai para outro município e quando chega lá ele apresenta para o médico um CD onde foi colocada a imagem do raio x. Um CD, você acredita? Aí ele precisa torcer para o computador do médico ter entrada para CD, se não tiver, ele acaba fazendo outro raio x pelo sistema particular para ter acesso ao raio x impresso e assim o médico poder avaliar. Na pior das hipóteses, ele volta para Colorado com o CD sem um diagnóstico porque o médico que atendeu ele não teve acesso à imagem. Os equipamentos da internet que usávamos já foi retirado e a impressora continua sem funcionar”, finaliza uma funcionária.

 

O VILHENA NOTÍCIAS entrou em contato com o prefeito de Colorado do Oeste, José Ribamar de Oliveira e com o secretário de saúde Gilmar Vedovoto Gervásio, porém, até o encerramento desta reportagem não obtivemos resposta.