Doenças ocupacionais e ergonomia: como a rotina de trabalho e estudo impacta o corpo humano

Problemas ergonômicos podem favorecer dores, lesões musculoesqueléticas e doenças que levam ao afastamento profissional

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Foto: Magnific

Passar muitas horas em pé ou sentado, repetir os mesmos movimentos ou trabalhar e estudar com mobiliário inadequado é uma realidade comum para trabalhadores e estudantes. Esses hábitos podem favorecer o desgaste físico e o surgimento de dores musculares, além de contribuir para o desenvolvimento de doenças ocupacionais, como Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort).

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), os distúrbios osteomusculares ocupacionais mais frequentes incluem tendinites em regiões como ombro, cotovelo e punho, lombalgias, caracterizadas por dores na região lombar, e mialgias, que podem atingir diferentes grupos musculares.

Segundo dados do Ministério da Previdência Social (MPS), foram concedidos mais de 38 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados a doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo no último ano. Além disso, o Boletim Epidemiológico de Monitoramento das Doenças e Agravos Relacionados ao Trabalho (Dart) contabilizou 6.156 notificações de LER e Dort no Brasil somente entre janeiro e junho de 2025, sendo esses alguns dos principais problemas relacionados ao trabalho.

A prevenção no ambiente do trabalho se destaca

Diante desse cenário, a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) destaca a prevenção como uma das principais formas de evitar o surgimento e o agravamento dessas lesões e distúrbios. Nesse contexto, uma das primeiras medidas deve ser avaliar ergonomicamente as atividades desempenhadas e corrigir os problemas identificados.

Esse cuidado é tão importante que foi criada uma norma regulamentadora para tratar especificamente do tema: a Norma Regulamentadora nº 17 (NR- 17). Ela estabelece parâmetros para adaptar as condições de trabalho às características dos profissionais e determina a avaliação de aspectos como mobiliário, equipamentos, transporte de materiais, organização das atividades e condições ambientais.

A ANAMT ressalta ainda a importância de acompanhar as queixas apresentadas pelos trabalhadores. Quando os sintomas persistem ou passam a interferir nas atividades diárias, a avaliação médica também pode ser necessária. Dependendo da região afetada, uma consulta com médico ortopedista pode ajudar a investigar possíveis lesões e orientar o tratamento adequado para cada caso.

Como ocorre o afastamento por doença ocupacional

O afastamento do trabalho por motivo de saúde ocorre quando o trabalhador fica temporariamente incapaz de exercer suas atividades profissionais. Essa incapacidade pode ser provocada por uma doença, uma condição ocupacional ou um acidente de trabalho.

Segundo a Justiça do Trabalho, o trabalhador pode ter direito ao benefício por incapacidade temporária de natureza acidentária, antigo auxílio-doença acidentário, concedido quando a pessoa fica impossibilitada de trabalhar por mais de 15 dias. Para comprovar a incapacidade, o trabalhador deve apresentar documentos médicos relacionados ao quadro, como atestados, laudos e exames.

Em acidentes de trabalho com traumas mais graves, diferentes especialidades podem participar do atendimento, conforme a região atingida. O que faz um cirurgião geral, nesses casos, é avaliar as lesões e definir a necessidade de realizar cirurgias.

O benefício permanece enquanto durar a incapacidade para o trabalho e pode ser prorrogado ou encerrado de acordo com a recuperação do trabalhador e as avaliações realizadas pelo INSS.

Investir em ergonomia pode reduzir custos para as empresas

Os efeitos dos problemas ergonômicos ultrapassam a saúde individual do profissional. A repetição de afastamentos e a necessidade de reorganizar equipes também podem gerar impactos negativos para as empresas. 

Segundo estudos, melhorias nas condições e nos instrumentos de trabalho podem contribuir para reduzir o cansaço e prevenir lesões ocupacionais. Com isso, também podem diminuir despesas relacionadas a licenças médicas, faltas e rotatividade de funcionários.

Nesse contexto, ambientes adequados às necessidades dos trabalhadores tendem a favorecer o bem-estar e a permanência dos profissionais nas empresas. Dessa forma, investir em ergonomia representa tanto uma medida de prevenção à saúde quanto uma forma de reduzir os impactos provocados pelo adoecimento e pelos afastamentos.