Notícia publicada às 12:19:23 - 12/11/2017 e lida: 4111 vezes   
    
  
  
‘TAXA MENSAL DA FÉ’: Seria o dízimo uma troca por favores de Deus, igrejas de Vilhena divergem sobre seu uso
Mesmo o dinheiro sendo algo material, algumas igrejas tem metas de arrecadação.

‘TAXA MENSAL DA FÉ’: Seria o dízimo uma troca por favores de Deus, igrejas de Vilhena divergem sobre seu uso
‘TAXA MENSAL DA FÉ’: Seria o dízimo uma troca por favores de Deus, igrejas de Vilhena divergem sobre seu uso
Foto: Vilhena Notícias

Por
Redação

Instituído há milhares de anos, no antigo Israel, o dízimo faz parte de praticamente todas as religiões cristãs, ainda que assuma formas diferentes em algumas. A obrigatoriedade na doação de dinheiro à Deus é expressa na Bíblia, mas as igrejas atualmente parecem relativizar a questão, após clara ganância de muitos líderes.

Segundo o padre Antônio Moreira dos Santos, é uma testemunha de vida cristã, um exemplo a ser seguido por outros. Ele diz que para receber alguns privilégios na igreja, como ter um filho batizado na fé católica, é preciso estar em dia com as contas da igreja. “Temos uma equipe para trabalhar com as questões do dízimo. Esse valor é uma forma do fiel contribuir com a manutenção social da igreja, despesas normais. Não levamos isso tão a sério a ponto de vincular isso à Salvação”, revela.

No entanto, avisos e incentivos não faltam. Na principal comunidade católica da cidade, a Nossa Senhora Aparecida, no Centro, três grandes painéis tratam do assunto. Um deles, ao lado do púlpito, tem a frase, em letras maiúsculas: “Contribuir com o dízimo é um até de fé comprometido com a comunidade”, outro tem várias frases demonstrando as coisas boas que “o dízimo pode tornar possível” e outro ainda exibe os valores arrecadados.

Apenas em 2017, até outubro, a comunidade arrecadou R$ 345 mil, com a manutenção de 200 dizimistas, em média. Este valor também inclui as ofertas (contribuições voluntárias não periódicas) que representam pouco mais de 20% do total. Em Vilhena a igreja católica tem 36 comunidades. “A quantidade de dizimistas já foi maior. Hoje menos da metade dos membros dá o dízimo”, explica o padre Antônio.

ALGUMAS IGREJAS FALAM MAIS DO DÍZMO DO QUE A FÉ

Apesar de a prática ter o nome de dízimo na igreja católica, as igrejas evangélicas e outras denominações procuram usar nomes como “contribuição”, “donativos” ou “ajuda financeira”. “Tem igreja que foca muito em dízimo e outras que quase não tocam no assunto, mas acredito que todas façam essa cobrança de alguma forma. Algumas chegam a relacionar o pagamento ao recebimento de favores dentro da igreja. Esse assunto é complicado porque aparecem o tempo todo charlatões bons de lábia que denigrem a imagem de todas as igrejas”, comenta Júnior Lima, músico gospel que se circula diversas denominações evangélicas em apresentações musicais.

De acordo com o pastor Itamar Lima, da igreja Batista Nacional, o dízimo em sua denominação é encarado como uma contribuição voluntária. “Eu contribuo mensalmente para a igreja desde que tive meu primeiro emprego, aos 14 anos de idade. Ou seja, há 36 anos eu doo parte dos meus rendimentos à igreja e me sinto alegre e abençoado por contribuir na comunidade onde decidi congregar. As pessoas que têm renda mensal e decidiram cooperar com a comunidade fazem o mesmo”, revela.

Para ele o dízimo não é uma taxa, dívida ou contribuição compulsória, mas apenas uma forma do fiel ajudar nas despesas mensais da igreja. De forma que não há punição para quem não contribui. “Os privilégios na igreja são de servir, se a pessoa não contribui ainda seria dispensada de ajudar na igreja? Não faz sentido para mim, mas é possível que aconteça em outras igrejas”, conta.

HÁ IGREJAS QUE NÃO COBRAM

Bruno Lima, um dos líderes jovens da igreja evangélica Comunidade Adorai, explica que a contribuição em sua denominação não é cobrada. “Mesmo assim temos a prática dos dízimos. Nesse aspecto os membros são encorajados a doar e ajudar no mantimento da igreja e das missões. Aqui as pessoas doam serviços, habilidades, tempo e ajudam de outras formas também, que não a financeira”, revela.

Para ele os prejuízos que advém de quem não doa estão mais ligados ao pouco crescimento da igreja, caso ela não consiga se manter. “Quem contribui, ao ver o crescimento da igreja, sente: ‘Caramba, fiz parte disso também. Por isso acreditamos que é melhor dar do que receber”, conta. 

 

FONTE: Vilhena Notícias

 

 


 


 

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