Notícia publicada às 11:35:26 - 07/11/2017 e lida: 15594 vezes   
    
  
  
TABU SUPERADO: Casais de mulheres vilhenenses têm assumido relacionamentos em público
Casais femininos tem recebido mais apoio dos pais ao assumirem relacionamentos homossexuais.

TABU SUPERADO: Casais de mulheres vilhenenses têm assumido relacionamentos em público
TABU SUPERADO: Casais de mulheres vilhenenses têm assumido relacionamentos em público
Foto: Divulgação

Por
Redação

A aceitação de casais homossexuais de mulheres em Vilhena parece estar evoluindo mais rapidamente que os casais masculinos. Diversos pares femininos se assumem publicamente hoje na cidade e tentam mostrar para a sociedade que amar alguém do mesmo sexo é algo natural. A reportagem conversou com garotas que têm relacionamentos com outras meninas e não têm medo de se esconder.

A musicista Gabriela Schmadecke e a modelo Francielly Bona (foto capa) mantém namoro há mais de um ano e hoje não veem problema em aparecer publicamente como casal. Mas nem sempre foi assim. “O início do namoro foi escondido da família. Apenas os amigos mais próximos sabiam. Tínhamos medo da reação então preferimos manter em segredo por uns meses. Tanto que, logo que a Fran se assumiu, e me assumiu, foi bem difícil. Recebemos várias críticas e chegamos a pensar que não ia dar certo”, explica.

Por conta da opinião contrária de alguns, o casal teve de ficar afastado até que as coisas se normalizassem. Morando em cidades diferentes, a distância foi um problema que quase custou o relacionamento. “Eu estava em Cacoal e ela em Rolim de Moura. As represálias continuaram depois que assumimos. Hoje homens dizem que é um ‘desperdício’ estarmos juntas e outras manifestações de machismo. Para alguns eles consideram apenas como um fetiche, não como algo natural e ficam falando coisas absurdas pra nós envolvendo sexualidade”, comenta.

A hairstylist Luana Abreu se relacionou recentemente com outra garota e, apesar de não estarem mais juntas, comentou que ainda hoje muitos amigos não sabem que aconteceu. “Limitamos bastante o número de pessoas que sabiam, porque não tínhamos ideia da reação das pessoas. Afinal, querendo ou não, ainda existe um pouco de preconceito. Por exemplo, sempre falavam para nós que o que estávamos erradas, que Deus ia nos punir e coisas assim”, conta.

Ao mesmo tempo, Luana foi apoiada por amigos que defendiam seu direito de se relacionar com quem quisesse. “Muitas pessoas ficaram felizes por nos assumirmos e bastante carinho. É uma pena que não seja assim com todos, porque homossexualidade é algo normal, até mesmo na natureza. Nós somos a única espécie que tem preconceito contra relações homoafetivas. É preciso que as pessoas vejam para que elas se acostumem com essa realidade, porque é algo normal. Quanto mais a gente se esconder menos as pessoas vão se aceitar. Elas precisam entender e respeitar”, assegura.

RECEBEM APOIO DOS PAIS

Gabriela e Fran recebem muito apoio de seus amigos, dos pais de Gabi e da mãe de Francielly. Um círculo de afeto se forma até mesmo por quem não é amigo imediato do casal, mas as acompanha pelas redes sociais.

Fran tem mais de 27 mil seguidores no Instagram e boa parte das atividades do casal, que vive junto na mesma casa, recebe carinho dos internautas. “Ainda assim, a possibilidade de um candidato a presidência homofóbico se eleger assusta a gente. Nós duas já conversamos várias vezes sobre isso. Aliás, em mais de uma ocasião, quando andávamos juntas na rua, passaram gritando ‘Bolsonaro 2018!’. Ou seja, as pessoas que vão votar nele já sabem que ele é homofóbico. Se ele ganhar não poderemos demonstrar o afeto que temos por quem amamos em público? Qual será a reação das pessoas que o apoiaram? É amedrontador”, finaliza.

MEDO DO PÚBLICO

Outros três casais conversaram com a reportagem, mas preferiram não responder às perguntas, nem se identificar. A situação revela a quantidade de medo e receio que boa parte dos casais homossexuais enfrentam ao terem de lidar com o grande público. 

 

FONTE: Vilhena Notícias

 

 


 


 

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