Notícia publicada às 16:20:55 - 06/11/2017 e lida: 8649 vezes   
    
  
  
Número de ateus cresce em Vilhena: reflexões sobre a existência e contradições bíblicas motivam o fenômeno
Na maioria dos casos a “transformação” do cristão em ateu se dá em um processo lento.

Número de ateus cresce em Vilhena: reflexões sobre a existência e contradições bíblicas motivam o fenômeno
Número de ateus cresce em Vilhena: reflexões sobre a existência e contradições bíblicas motivam o fenômeno
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Por
Redação

Vilhena vive um crescimento evidente no número de ateus e pessoas sem religião nos últimos anos. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística), aqueles que se declararam sem religião somam 12,33% da população de Vilhena. Os ateus são mais da metade destes, somando cerca de cinco mil vilhenenses.

Há cerca de 10 anos o número era quase nulo e uma onda de descrença parece contagiar tanto por dar coragem aos que já eram ateus em se revelar quanto por fazer mais pessoas deixarem de acreditar em deuses e acontecimentos sobrenaturais.

Na maioria dos casos a “transformação” do cristão em ateu se dá em um processo lento, como o que aconteceu com o editor de vídeo Cleiton Lopes. “Fui da Congregação Cristã do Brasil por 15 anos. Me interessei muito sobre teologia e estudei sobre outras religiões. Justamente isso que me fez perder a fé, a ficha foi caindo ao longo dos meus estudos. O conhecimento foi mudando o pensamento da humanidade e acabando com as superstições. Isso também aconteceu comigo. É algo que acontece aos poucos. Não é simplesmente, de uma hora pra outra, zerar tudo o que você acreditava e começar a pensar algo diferente. É um processo lento”, revela.

Para Matheus Sullivan, que é analista de tecnologia da informação e ateu há 4 anos, aconteceu o mesmo. De família espírita e adventista, Matheus passou a analisar os conflitos de opiniões entre as duas. “Fui percebendo eu as coisas ‘mágicas’ de incorporação e outros milagres não acontecem na realidade. Conforme comecei a estudar Ciência, notei que não há evidência de nenhuma força mística que está olhando por nós. Esse processo de me tornar ateu se completou pela falta de provas físicas de que há algum tipo de deus”, explica.

O advogado e músico Bruno Vanzin revela a mesma situação que precedeu sua “descoberta” como ateu. Após estudar sobre Astronomia como um de seus hobbies, Vanzin chegou à conclusão que o Universo é um sistema que funciona sozinho. “Quando comecei a estudar sobre a fusão nuclear das estrelas e percebi que todas as coisas que existem foram criadas lá, no centro das estrelas. Vi que esse sistema explicava a origem dos planetas, das galáxias e do Universo de forma geral. Mas, até eu me considerar ateu ainda demorou. Esse foi o início”, relembra.

AS DIFICULDADES – Ter uma posição não-cristã em uma cidade onde, segundo o IBGE, 80% da população é cristã, representa diversos desafios que envolvem preconceito, exclusão de círculos de amizade e até mesmo familiares. “Eu já senti várias vezes preconceito por parte de religiosos. Minha esposa é evangélica e consigo notar o pouco caso e a diferença de tratamento que eles dão a quem não acredita no que eles acreditam”, explica Matheus.

Algumas religiões, como as Testemunhas de Jeová e outras semelhantes, excluem completamente aquele que deixou de fazer parte da igreja. Familiares deixam de ter contato, amigos se recusam a cumprimentar e um círculo de isolamento se forma.

Bruno percebe que algumas religiões têm doutrinas que inferiorizam as pessoas. Para ele, esse é o principal prejuízo que quem não é religioso pode sofrer. “Ateus são considerados inferiores, em geral. Doutrinas religiosas que dizem que se você é fiel é superior a outras pessoas. Nesse caso é difícil a convivência. E isso acontece até mesmo entre religiões, as pessoas matam em nome de Deus, tanto islâmicos como cristãos e outros”, avalia.

Cleiton, por sua vez, considera que a religião têm aspectos negativos e positivos. “Algumas pessoas precisam da religião para se controlarem. Mas, ao mesmo tempo, a falta de liberdade para seus membros mudarem de pensamento faz com que a religião te deixe preso, e os avanços científicos não conseguem passar essa barreira, em muitos casos”, lamenta.

É POSSÍVEL CONCILIAR? – O fotógrafo vilhenense Israel Carvalho não é ateu, mas declara acreditar na Evolução das Espécies, tese biológica que explica a variedade de espécies no planeta. “Somos ensinados desde pequenos que a Evolução ‘não é coisa de Deus’. E incentivados a não aceitar. No meu caso, eu assimilei a Evolução como a explicação mais razoável através de um processo que levou anos. Aprendi que é importante questionar sempre e a partir das provas tirar nossas conclusões”, revela.

Matheus ainda vai esporadicamente à igreja com a esposa, Cleiton cumprimenta seus familiares com dizeres evangélicos enquanto Bruno busca conversas amigáveis com seus familiares, sem entrar em disputas ideológicas. Israel faz uma análise geral do assunto e acredita que o crescimento da descrença pode ser causa de medo para as igrejas. “Não é uma questão social irrelevante, é um entrave que a sociedade sempre silenciou. Na minha opinião o aumento é real, mas também natural, pois representa a busca das pessoas por respostas ao mundo que as rodeia. Acredito que as dimensões do ateísmo assustam as igrejas. Sempre existiram ateus e isso não é segredo, mas esse tema vir à tona com tantos apoiadores, mostra o quão influente é essa corrente de pensamento”, completa.

“Fui percebendo eu as coisas ‘mágicas’ de incorporação e outros milagres não acontecem na realidade. Conforme comecei a estudar Ciência, notei que não há evidência de nenhuma força mística que está olhando por nós. Esse processo de me tornar ateu se completou pela falta de provas físicas de que há algum tipo de deus”, explica Matheus Sullivan.

 

FONTE: VILHENA NOTÍCIAS

 

 


 


 

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