Notícia publicada às 09:24:21 - 04/10/2017 e lida: 293 vezes   
    
  
  
Companhia de dança “leva” Rondônia para Minas Gerais
O trabalho será apresentado no auditório da Escola de Belas Artes - EBA/UFMG, com entrada gratuita.

Companhia de dança “leva” Rondônia para Minas Gerais
Companhia de dança “leva” Rondônia para Minas Gerais
Foto: Divugação

Por
Redação

Belo Horizonte recebe nos dias 04 e 05 de outubro o espetáculo de dança contemporânea "D'água e Lama", da Cia de Artes Fiasco, de Porto Velho, Rondônia. Inspirado no cotidiano de comunidades ribeirinhas amazônicas, o trabalho será apresentado no auditório da Escola de Belas Artes - EBA/UFMG, com entrada gratuita.

O projeto ainda contará com exposição fotográfica de Michele Saraiva, cuja pesquisa imagética às margens do Rio Madeira deu origem à montagem. Após as apresentações, o público ainda poderá participar de um bate-papo com artistas da companhia e professores da UFMG. 

Projeto contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klaus Vianna 2015, o espetáculo tem apoio em Belo Horizonte da EBA/UFMG e Colegiado de Dança da UFMG, com parceria cultural do Bristol Hotel

A concepção do espetáculo surgiu a partir da pesquisa fotográfica em comunidades existentes à beira do Rio Madeira em Rondônia, entre 2012 e 2014. O material foi desconstruído e transformado em dança pela Cia de Artes Fiasco numa imersão que apresenta ao público a vivência do povo ribeirinho. Nesse sentido, as sensações e experiências dos "beradeiros" são transpostas para o corpo das bailarinas - Cecí e Gisele Stering - através dos elementos água e lama. O contato com a natureza, o movimento do banzeiro, o calor do sol, o vento e a chuva também se mostram presentes no espetáculo, fazendo com que o público se transporte para dentro dessa realidade tão diferente do cotidiano das grandes metrópoles.

O tempo ribeirinho é singular nas localidades beradeiras, um tempo em câmera lenta, ampliado, diferente do tempo urbano, chamado “minuto de relógio grande” pela Cia - oposição que também é evidenciada nos movimentos das intérpretes. "D'água e Lama" é um retrato das pessoas que vivem e sobrevivem na beira do rio se adaptando a todas as singularidades desses territórios. Assistir ao espetáculo é uma forma de ter acesso a este universo", conta Fabiano Barros, diretor do espetáculo.

Além do espetáculo com entrada gratuita, o público belorizontino poderá conhecer parte deste processo de criação com a instalação da fotógrafa Michele Saraiva, que também é bailarina e assina a produção da montagem. A exposição estará em cartaz na Escola de Belas Artes da UFMG nos dias de apresentação do espetáculo "D'água e Lama", que ainda teve como desdobramento a publicação de um livro com os registros fotográficos, o cotidiano estudado e o diálogo com as cenas da montagem de dança.

Com 15 anos de trabalho e pesquisas no estado de Rondônia, a Cia de Artes Fiasco foi contemplada em 2015 com o Prêmio de Dança Klaus Vianna, prevendo circulação nacional do espetáculo. Ao todo serão 10 apresentações em cinco cidades de quatro regiões do país nos meses de setembro e outubro: Rio Branco/AC (Teatro de Arena - 20.09), Recife/PE (Terreiro Ilê Axé Xangô - 24.09), Brasília/DF (Sesc Garagem -28 e 29.09), Rio de Janeiro/RJ (Auditório CBAE - 01.10 - e Centro de Artes da Maré - 02.10) e Belo Horizonte/MG (EBA/UFMG - 04 e 05.10). A passagem da turnê pela capital mineira terá como diferencial o intercâmbio com alunos e professores da Escola de Belas Artes da UFMG. Em Belo Horizonte a proposta conta com apoio da EBA/UFMG e Colegiado de Dança da UFMG, através dos professores Arnaldo Alvarenga e Adolfo Cifuentes. "A ideia é fazer com que outros profissionais da dança no Brasil tenham acesso aos elementos e situações que impulsionam artistas, bailarinos, coreógrafos e diretores da dança na região norte a produzirem", explica Fabiano Barros. Previamente à turnê nacional, o trabalho já circulou pelo estado de Rondônia em comunidades ribeirinhas e tribos indígenas.

Pesquisa e linguagem

Entre 2012 e 2014, a Cia de Artes Fiasco realizou uma pesquisa imagética em comunidades ribeirinhas situadas às margens do Rio Madeira, com intuito de retratar o condicionamento do movimento, tal qual um espelho que reflete a ânsia, o desejo e a angustia do corpo “beradeiro” na sua contemporaneidade. Nesse processo, a coreógrafa Gilca Lobo e a fotógrafa Michele Saraiva, ambas bailarinas, realizaram uma pesquisa imagética na comunidade Santa Luzia, distrito portovelhense situada às margens do Rio Madeira, imergindo de forma cautelosa e uníssona no cotidiano dos moradores da beira do rio - conhecidos como “ribeirinhos” ou “beradeiros” -, dando início ao processo de montagem do espetáculo.

Após essa imersão, foi construído o espetáculo de dança contemporânea “D´água e Lama”, que traz ao púbico esse território numa transmutação do corpo humano durante suas fases - com movimentos ainda involuntários e imprecisos após o nascimento; perpassando infância e juventude, onde desenham-se movimentos de liberdade tais como um simples pulo para um mergulho nas águas, um giro deitado sobre a lama ou até um longo nado contra a correnteza; chegando até a maturidade, na qual esses corpos são moldados por movimentos repetitivos e rígidos, como um agachar para lavar roupa na beira do rio, um lance de rede de pesca ou até mesmo a prática do remo, movimento obrigatório para quem vive nessas comunidades. Toda essa investigação é perpassada pelos elementos água e lama, essenciais para a compreensão deste universo ribeirinho. É nesse e desse lugar, onde os ciclos de cheias e vazantes moldam paisagens, onde o tempo é lento, estradas são rios e carros, canoas. Onde a floresta é música constante e o barranco, parque de diversão, onde imagens, texturas e movimentos falam.

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FONTE: Assessoria

 

 


 


 

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