Notícia publicada às 17:41:52 - 22/09/2017 e lida: 4292 vezes   
    
  
  
HR: Semus não abrirá investigação para apurar vazamento de informação sobre morte de modelo vilhenense
Veículos de comunicação confirmaram a morte da adolescente horas antes do comunicado oficial da Secretaria Municipal de Saúde.

HR: Semus não abrirá investigação para apurar vazamento de informação sobre morte de modelo vilhenense
HR: Semus não abrirá investigação para apurar vazamento de informação sobre morte de modelo vilhenense
Foto: Renato Spagnol

Por
Renato Spagnol

A Secretaria Municipal de Saúde (Semus) de Vilhena, confirmou ao Vilhena Notícias que não irá abrir investigação para apurar o vazamento de informações sigilosas sobre o estado de saúde da modelo vilhenense de 17 anos, Vânia Maísa Castro Morais, que esteve internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira, até a quarta-feira, 20 de setembro, quando teve morte encefálica diagnosticada.

A confirmação da morte só foi dada OFICIALMENTE à família da modelo por volta das 20h00 e minutos depois divulgada publicamente pela assessoria de comunicação da Semus, mas antes disso, às 15h25 saiu a primeira matéria sobre o caso, que confirmava a morte encefálica da garota. Já às 16h06 um segundo jornal noticia a morte e dava como fonte de informação a assessoria de imprensa do próprio hospital, que nega ter fornecido às informações.

Ante a quebra de protocolo da unidade hospitalar, ao vazar a informação sigilosa, a Semus emitiu às 17h48 através de sua assessoria um comunicado com o seguinte teor.

“A Secretaria Municipal de Saúde vem a público esclarecer os fatos relativos à condição da menor V.M., considerando as diversas informações acerca do caso: 1. Designa-se por Morte Cerebral ou Morte Encefálica a perda definitiva e irreversível das funções cerebrais. O termo Morte Encefálica aplica-se a condição final, irreversível definitiva de cessação das atividades do tronco cerebral;

  • Para atestar a Morte Encefálica é necessário seguir Protocolo Especifico estabelecido pelo Conselho Federal de Medicina que estabelece 2 avaliações clínicas com intervalos de 6 horas, e 1 exame complementar;
  • No caso em tela [Vânia Maísa], a situação clínica da paciente é grave, sendo que não foi atestado o óbito até o momento, no entanto o Protocolo do CFM está sendo seguido com o mais absoluto rigor;
  • O Secretário Municipal de Saúde confirma que foi contactado por órgãos de imprensa e informou exatamente essa informação presente, inclusive esclarecendo que em caso de Morte Encefálica os parentes são posteriormente à confirmação contactados para somente ser considerada a possibilidade de doação de órgãos;
  • A Semus não autoriza servidores municipais a prestarem informações clínicas em referência aos princípios bioéticos.
  • A Assessoria de Comunicação da Semus repassará a informação atualizada após às 20 horas [quando ocorreu a confirmação oficial da morte]”.

Uma renomada associação de advogados, a Dadalto&Carvalho de Minas Gerais produziu em fevereiro deste ano um artigo sobre um caso semelhante ocorrido em um hospital de São Paulo.

“Extrai-se das normas presentes na Constituição de 1988, nos Códigos Penal e Civil, que os profissionais devem guardar sigilo sobre as informações que recebem em decorrência da situação profissional. Na medicina, existem regras específicas, como resoluções dos Conselhos Federal e Regionais, impedindo o médico de divulgar informações sobre quadro clínico e diagnóstico de pacientes. As exceções ao dever de sigilo profissional admitidas pela lei são poucas. Conforme o Código de Ética Médica, que atualmente passa por uma revisão, é vedado permitir o manuseio e o conhecimento do prontuário por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional, quando sob sua responsabilidade, salvo quando autorizado pelo paciente, por escrito, para atender ordem judicial ou defesa própria ou ainda pela família em caso de falecimento do paciente”. O Código Penal prevê que a revelação sem justa causa ou obrigação legal de segredo que se obtém por meio de exercício da profissão configura crime, que pode trazer por consequência a aplicação de multa e outras penas ao agente infrator. Fala-se até em detenção”.

Repercussão

A postura dos jornais que noticiaram a morte da adolescente, antes mesmo dos protocolos exigidos pelo Conselho Federal de Medicina para detecção de Morte Cerebral terem sido concluídos, ou ainda a confirmação oficial dos médicos da UTI através da Semus, foi condenada por parte da comunidade acadêmica, docentes da área de comunicação e membros da imprensa local.

Em sua página pessoal na rede social facebook Raquel Jacob, conceituada jornalista e apresentadora vilhenense da TV ALLAMANDA, comentou: “Sou da opinião que se o jornalismo não serve pra ajudar a transformar realidades, então não serve pra mais nada. Pensar e repensar as atitudes, as abordagens e a relevância de cada palavra usada podem nos ajudar a fugir da armadilha de prestar um desserviço pra comunidade onde vivemos e pra quem falamos. Na ânsia por ser o melhor, muitas vezes passamos por cima da empatia e do respeito. Nem sempre pensei assim, já fui afoita e também já chorei muito ao ver estragos causados por atitudes impensadas que cometi por impulso, por vontade de ser a primeira. Hoje, com 12 anos dedicados a essa profissão posso afirmar que aprendi muita coisa, mas aprendi principalmente que o melhor não é aquele que fala primeiro, e sim o que fala com coerência, que se coloca no lugar de quem vai receber a mensagem”.

Em outro trecho da mensagem a jornalista cita as abordagens da imprensa frente a casos de suicídio e levanta questionamentos: “Conclamo aos amigos da imprensa rondoniense para que tenham mais cautela ao tratar temas delicados, como o suicídio, por exemplo. Exemplificar em uma reportagem os meios utilizados pra cometer o ato é mesmo necessário? Isso é mais importante do que tratar a prevenção? Pense que seu texto será lido por outros milhares de adolescentes que enfrentam os mesmos conflitos e tem dentro de si esse mesmo desejo. É preciso cuidado para não fazermos apologia à aquilo que na verdade estamos tentando combater. Tenho medo dos impactos que tais reportagens poderão causar nessa nova geração que já tem conflitos demais pra lidar. Façamos um jornalismo com propósito!”.

 

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FONTE: VILHENA NOTÍCIAS

 

 


 


 

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