Notícia publicada às 08:28:38 - 05/08/2017 e lida: 5277 vezes   
    
  
  
Filha de agricultor morto a tiros em emboscada clama por justiça
Crime completa 2 meses na quinta-feira, 03 de agosto.

Filha de agricultor morto a tiros em emboscada clama por justiça
Filha de agricultor morto a tiros em emboscada clama por justiça
Foto: Álbum de família

Por
Renato Spagnol

Familiares do agricultor Liversino Azevedo, morto aos 51 anos em uma emboscada na zona rural de Corumbiara – próximo ao assentamento Água Viva em 03 de junho deste ano, pedem justiça.

Em entrevista concedia ao Vilhena Notícias na quarta-feira, 02 de agosto, Daiane, filha do agricultor, disse que passados 2 meses do crime a polícia ainda não prendeu os autores do assassinato. Daiane também deu detalhes do crime que tirou a vida de seu pai.

Ela contou que era por volta das 20h30 do dia 03 de junho, sábado, quando seus pais retornavam de uma festa na pick-up Strada de propriedade do agricultor. Na carroceria do veículo seguiam uma senhora e duas crianças.

“Logo depois que eles pegaram a estrada para irem embora, a minha mãe viu que dois homens em uma moto alta de cor escura começaram a segui-los. Depois de alguns quilômetros e já perto de casa, a minha mãe pediu para o pai dar passagem para os motoqueiros. Bom, eles ultrapassaram o carro e foram embora, mas faltando uns 1000 metros para chegar na entrada de casa, a moto voltou, mas o passageiro não estava mais na garupa, aí a uns 500 metros de casa um homem saiu da beira da estrada e deu com a mão e meu pai parou pensando que fosse algum vizinho. A partir daí foram 6 tiros sem dar chance de reação para o meu pai”, conta Daiane.

A filha relata também, que após ferir o agricultor o atirador se afastou do carro, e correu em direção a um morro onde o comparsa o esperava, mas ao ouvir que seu pai ainda estava vivo e conversava com a esposa, ele voltou. “Na hora que a minha mãe viu o homem voltando na direção do carro, ela saiu e a senhora e as duas crianças pularam da carroceria e minha mãe gritou para ele [Liversino] arrancar com o carro, e foi o que ele fez”.

Após ser baleado o agricultor conseguiu dirigir seu veículo por cerca de 500 metros até chegar em sua casa, onde aguardou até por volta das 22h20 o socorro que chegou do município de Corumbiara.

“Foi uma luta. Minha mãe ligou para a polícia, mas ninguém foi lá e a ambulância foi até uma altura, mas quebrou e precisou voltar para Corumbiara, e só conseguiu chegar no sítio depois das 22h00”, disse Daiane.

Com a chegada da ambulância, Liversino foi socorrido à unidade de saúde de Corumbiara e só chegou a Vilhena às 03h00 já do dia 04, domingo. No Hospital Regional ele passou por cirurgia e depois foi levado para a Unidade de Terapia Intensiva – UTI, mas morreu por volta das 04h00 de segunda-feira, 05, em decorrência de duas paradas cardiorrespiratórias.

 

Suspeito

Um dia após o ocorrido a esposa de Liversino conversou com a polícia e contou sobre um desentendimento por motivo fútil entre seu esposo e um homem identificado como João Baiano, durante a festa.

A filha do agricultor disse acreditar que João não tem nenhuma participação no crime, mesmo porque a própria vítima que ficou consciente até ser levada para a UTI, disse que o fato foi irrelevante: “O meu pai estava trabalhando como churrasqueiro na festa. Teve uma hora que o João foi e pediu para trocar o espeto por um que ‘tivesse mais carne’, o meu pai sorriu e disse para o João escolher outro, aí o Baiano fez uma piada, mas o fato terminou ali”, diz Daiane.

O caso está sob investigação da Polícia Civil de Cerejeiras. A família clama para que as autoridades apurem e descubram quem foram os autores do crime e se existe algum mandante. A família de Liversino afirma que ele era morador da região há mais de 20 anos e não tinha desavença com ninguém.

 

Massacre de Corumbiara

Liversino Azevedo e sua família fizeram parte do grupo de camponeses que em 1995 se mobilizou para ocupar uma área improdutiva da Fazenda Santa Elina, que pertence à região de Corumbiara.

O resultado do conflito agrário violento ocorrido em 9 de agosto daquele ano, deixou 10 mortos, quando policiais entraram em confronto com os camponeses sem-terra que estavam ocupando uma área da propriedade. Entre as vítimas estavam uma criança de nove anos e dois policiais. O caso ficou nacionalmente conhecido como o Massacre de Corumbiara.

 

Casamento marcado

Na entrevista concedida ao site, Daiane informou que seu pai faria 52 anos em 29 de julho.

“Essa não era uma data especial somente pelo aniversário de 52 anos dele, mas ele tinha programado oficializar a união de 34 anos com a minha mãe”, pontuou Daiane.

Liversino e Dolores iriam se casar, após 34 anos de união. Ele deixou a esposa e três filhos maiores.

 

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FONTE: VILHENA NOTÍCIAS

 

 


 


 

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